Smart TV expande o universo do vídeo sob demanda
Jason Turbow
Eric Schmidt, diretor-executivo do Google, apresenta Google TV durante o Google I/O, evento para desenvolvedores
A TiVo deu início à revolução do entretenimento doméstico moderno com a tecnologia DVR, possibilitando que os consumidores assistissem aos programas que quisessem, e quando quisessem. A televisão de horário fixo – programas que valem a pena ser agendados – foi obliterada.
A possibilidade e assistir a Jon Stewart às 6h30 pode ser ótima, mas e quanto a um recente lançamento de série, novela ou filme que ainda não está inserido na programação de nenhuma rede de televisão? E o que dizer de coisas antigas, como episódios de televisão de anos atrás, ou algum filme independente esquecido?
Este é o mundo do vídeo sob demanda, impulsionado pela confluência da Internet com a televisão. Nos últimos anos, aparelhos de Blu-ray têm oferecido conectividade para sistemas domésticos de entretenimento, mas foi só com a última onda de televisores prontos para a Internet, os televisores Smart TV, que os fabricantes de aparelhos tornaram-se realmente capazes de apresentar produtos construídos em torno desse conceito.
Estamos falando do pacote “tudo-em-um”, um dispositivo que funciona instantaneamente, por meio de uma única conexão, e que proporciona aos usuários acesso ao conteúdo que estes desejam, quando desejam, independentemente dos horários de programação. No entanto, descobrir qual deles comprar é um processo totalmente diferente da tradicional pesquisa para compra de um televisor que se fazia no passado.
Antigamente, marcas como Sony, LG e Vizio limitavam-se à promoção de várias combinações de recursos e qualidade de imagem nos seus produtos. No entanto, a conectividade com a Internet é diferente, já que o hardware é essencialmente o mesmo para todos os aparelhos. Com a exceção da distinção entre Wi-Fi embutido e a simples “capacidade para Wi-Fi” (o que significa que é necessária a compra de um adaptador separado), esses televisores conectam-se à Web de maneira exatamente igual.
Isso fez com que os fabricantes fossem alçados a um novo patamar, no qual as opções de entretenimento tornaram-se parte da barganha por hardware.
Por exemplo, o serviço Qriocity (pronunciado como a palavra inglesa “curiosity”) da Sony, que foi lançado em abril deste ano, reproduz filmes (US$ 4,99/R$ 8,50 para aluguéis em alta definição, e US$ 2,99/R$ 5,10 para definição padrão) e música para aqueles usuários que conectam-se à Internet por meio dos televisores Bravia e dos aparelhos Blu-ray da companhia. Isso é uma expansão da Rede PlayStation da Sony, que oferece milhares de filmes na Internet.
“A ideia é oferecer mais serviços e conteúdos obtidos na Internet”, explica Robert Rodriguez, um gerente de produção da linha Bravia. “Se o consumidor comprar um dos nossos televisores, mesmo se não tiver cabo ou satélite, ele contará com 40 canais 'embutidos', contanto que tenha Internet de banda larga. Nós reconhecemos a mudança dos tempos. Essa é uma fonte viável de entretenimento”.
Outros fabricantes oferecem serviços similares por meio de provedores, com o uso de aplicativos que conduzem os usuários diretamente para sites como o Netflix e o serviço de vídeo sob demanda da Amazon. A assinatura proporciona acesso a bibliotecas de vídeo na Web, disponíveis em diversas estruturas de preços.
Os próprios televisores têm preços variados. O aparelho Smart TV mais barato da Samsung custa cerca de US$ 900 (R$ 1.533) e o de 55 polegadas da série 8000 3D pode ser adquirido por US$ 3.500 (R$ 5.960). O modelo EX710 LED Bravia da Sony varia de US$ 1.000 (R$ 1.700) para um modelo de 32 polegadas a US$ 2.500 (R$ 4.258) para um televisor de 55 polegadas. Os preços deverão cair durante a temporada de final de ano.
Tudo isso pode ser novidade para o mundo dos telespectadores, mas a tendência não é incomum.
“Estamos lidando com uma plateia e um consumidor que passaram pela guerra dos smart phones dos últimos três ou quatro anos”, afirma Eric Anderson, vice-presidente de conteúdos e soluções de produtos da Samsung. “Como nós lançamos produtos como a loja de aplicativos, ou ativação, ou downloads, ou programação premium versus gratuita, todas essas coisas já são bem familiares para muita gente que possui esses televisores”.
Essa familiaridade resulta naquilo que Anderson estima ser uma taxa de ativação de até 60% para aqueles que compram televisores conectados. O número é surpreendentemente elevado para uma categoria na qual a maioria dos aparelhos é comprada sem que o consumidor se preocupe com os recursos Wi-Fi.
“As pessoas ainda estão comprando televisores principalmente por causa da qualidade de áudio e vídeo”, diz Anderson. “Eu diria que há uma relação 70-30 quanto aos dois critérios no que se refere à decisão de compra”.
Esses 30%, no entanto, representam uma promessa vasta de potencial inexplorado. O que esse número não representa é a quantidade de pessoas que desejam conteúdo da Web, mas que não querem abrir mão dos seus televisores atuais para isso.
Caixas de transmissão
Um número significativo de aparelhos de Blu-ray possibilita conexões com a Internet por meio de televisores “non-smart”. É claro que, devido à sua própria existência, o aparelho Blu-ray, que atualmente pode ser adquirido por menos de US$ 100 (R$ 170), vai contra o espírito que norteia a mídia vinculada a downloads da Internet. O futuro não está em produtos físicos, mas sim na informação transmitida ininterruptamente para as residências.
Tendo isso em mente, muitas empresas fabricam dispositivos com o objetivo de transferir conteúdo da Web para televisores que nos últimos anos têm surgido em grande quantidade. Uma líder nessa categoria é a Apple TV, que oferece aluguel de filmes baixados da Internet – incluindo muitos lançamentos novos – em definição padrão e alta definição por US$ 100. Ela também oferece um aplicativo para Netflix (entre outros), cujo modelo de assinatura sob demanda representa maior flexibilidade para os usuários que alugam filmes com frequência. Em setembro, a Apple lançou uma versão atualizada, que é 80% menor e que apresenta menos problemas do que o seu antecessor. O reprodutor digital de vídeo da Roku, que foi lançado em 2008 como aparelho para acesso ao serviço da Netflix, desde então se expandiu para oferecer múltiplos canais baixados de outras empresas, tanto gratuitamente quanto mediante o pagamento de uma taxa. A caixa Roku mais barata custa US$ 60 (R$ 102).
O Boxee é um outro aparelho que se encontra nessa categoria, oferecendo muitas parcerias semelhantes, além de acesso a mídia social que permite que os usuários sigam a atividade dos seus amigos e recomendem publicamente conteúdos. Os Boxees podem ser adquiridos por um mínimo de US$ 200/R$ 341 (preço que inclui o fabuloso controle remoto, com controles simples na parte anterior e um teclado na posterior).
Mais do que filmes
Se você estiver fazendo streaming via Internet, por que se limitar aos filmes quando é possível acessar a Web também? Essa tem sido uma proposta cheia de obstáculos e problemas, e os fabricantes procuram descobrir o melhor método de navegação. Afinal de contas, televisores de tela plana para salas de estar não foram projetados por técnicos que tinham em mente a navegação na Web.
A entrada mais notável nessa categoria foi a parceria entre o Google e a Sony, chamado Google TV.
Com o seu próprio controlador multifuncional (que inclui um teclado integral) e vários meios para obtenção de acesso (por meio de televisores e aparelhos Blu-ray da Sony específicos, ou da caixa da Logitech Revue), o objetivo do Google é integrar a experiência de assistir a programas de televisão à navegação na Web.
“O que estamos fazendo com isso é trazer a navegação da Web para a televisão, permitindo que o seu televisor acesse a Internet enquanto você assiste a programas”, explica Salahuddin Clhoudhary, gerente de produtos do Google TV. “É nisso que eu penso quando procuro determinar qual o rumo da TV por Internet”.
Mas não haveria uma verdadeira guerra da Internet se o Yahoo não estivesse no jogo, com a sua recente parceria com a Samsung e o estreitamento da relação com a Toshiba, a Vizio, a LG e a Sony.
A principal diferença entre as ofertas do Yahoo e do Google é que o Yahoo inclina-se para a funcionalidade enxuta e não para a integração com a Web. Acima de tudo, o Yahoo apresenta aplicativos para serviços como o Pandora e o Twitter, acesso fácil ao YouTube e ao vídeo sob demanda da Amazon, e os seus próprios serviços baseados na Web, incluindo o Flickr e o Yahoo News. É simplesmente mais fácil, segundo a tese de que tudo o que as pessoas realmente desejam com essa experiência é o melhor da Web, e não a experiência inteira com a nova tecnologia.
Essa parece ser uma proposição sólida. Segundo várias análises, o Google ainda está tentando solucionar problemas com o seu produto, e a experiência “Web-encontra-televisão” ainda não concretizou todo o seu potencial.
O que não significa que isso não acontecerá em breve.
“Eu deveria poder assistir televisão e fazer todo tipo de atividade”, diz Choudhary. “Nós queremos que o consumidor seja capaz de acessar qualquer vídeo que deseje, comunicar-se com o seu dispositivo por voz, baixar músicas da Internet, ver fotos. Nessa área, o céu é realmente o limite”
Comments:
Não é nenhuma novidade que as pessoas já desejam fazer sua própria programação sem o controle da grande mídia. A Cauda Longa do Chris Anderson já falava disso há 5 anos atrás. Com o aumento de pessoas conectadas a web, hoje isso é ainda mais verdade e parece que os grandes fabricantes e desenvolvedores de tecnologia resolveram trabalhar e já são capazes de oferecer serviços que atendam essas necessidades. A questão agora é de tempo para que essas novas possibilidades cheguem ao consumidor comum e se popularizem. Mas, com o cada indivíduo tendo a liberdade de fazer sua própria programação e ver ou não os comerciais, será que a publicidade vai conseguir ser suficientemente relevante e atrativa a ponto das pessoas desejarem vê-la por conta própria? Acredito que a propaganda vá se adaptar e correr atrás do prejuízo. Mas também acredito que muita coisa, como a maioria irrelevante de filmes de 30", precisa mudar para que tudo termine com um final feliz.



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